terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nat King Cole





Ele não foi apenas um cantor de sucessos populares, mas também um grande jazzista. Seu estilo elegante e a voz de veludo influenciaram artistas tão diversos como Oscar Peterson, Diana Krall, Chuck Berry, Ray Charles e Otis Redding.


Nathaniel Adams Coles nasceu em 17 de março de 1917 (algumas fontes registram 1919) em Montgomery, Alabama. A família era pobre, mas musical. Ainda criança, ele aprendeu a tocar piano com a mãe. Suas primeiras gravações, em 36, foram no grupo do irmão Eddie, contrabaixista (outro irmão, Freddy, é hoje um cantor renomado). 

No ano seguinte, ele formou o King Cole Trio com o guitarrista Oscar Moore e o baixista Wesley Prince (mais tarde substituídos). Com esse grupo sem bateria, e já cantando, ele começou em 39 a gravar seus primeiros sucessos. Em rápida ascensão, atingiu duas vezes o topo da parada de rhythm & blues em 43, com "That Ain't Right" e "All for You". Em 46, "(I Love You) For Sentimental Reasons" foi número um na parada pop, assim como seu primeiro LP, "The King Cole Trio".

Somando quase 80 músicas de sucesso desde esse período até os anos 60, ele rivalizou com Frank Sinatra, algo excepcional para um artista negro numa época de discriminação racial. Cole foi o primeiro negro a ter um programa semanal na televisão americana e fez vários filmes, como "St. Louis Blues" e "Blue Gardenia".

Em 50 nasceu sua filha Natalie, que também se tornou cantora de sucesso. Em 15 de fevereiro de 65, Nat morreu de câncer no pulmão, em Santa Monica, Califórnia.

Curtis Mayfield

Curtis Mayfield, um dos mais talentosos artistas do século XX, era original tanto no papel de cantor e compositor como no de crítico social e pioneiro da música. A trilha sonora de Superfly, lançada em 1972, garantiu a Mayfield o aplauso da crítica e um grande público, mas, em 1975, a música negra americana estava se tornando um tanto pautada pela disco music e a maioria das canções eram simples celebrações hedonistas. Mayfield reagiu com There’s No Place Like America Today, uma triste crônica sobre a vida do negro no país. A capa mostra uma fila de pessoas negras que parecem diminuir de tamanho diante de um enorme outdoor de uma sorridente família branca. Recriada a partir de uma fotografia de Margaret Bourke-White, de 1937, a imagem resume o abismo entre o sonho americano e a realidade das ruas.
Como Marvin Gaye no épico What’s Goin’ On, Mayfield é inflexível ao retratar o dilema a seu redor, mas, de forma suave e firme, prega a esperança. A faixa de abertura, “Billy Jack”, conta a história de um marginal insignificante que acaba assassinado. “When Season Change”, com influência do gospel, reflete sobre o desespero que está por trás da pobreza. “So In Love” é uma linda canção de amor de Mayfield, enquanto “Jesus” fala da possibilidade de redenção espiritual. “Blue Monday People” é um apelo por mais amor e menos dinheiro; “Love To The People” traz uma mensagem positiva sobre amar sua própria gente.
No lançamento, o álbum mostrou que era capaz de atingir o público negro americano, mas – talvez sem surpresas – foi ignorado pelos brancos. Desde então, There’s No Place Like America Today tem repercutido um pouco mais.
“Superfly” de Curtis Mayfield
Curtis Mayfield se tornou parte da cultura soul dos Estados Unidos em 1961, quando o grupo vocal desse artista nascido em Chicago, The Impressions, começou a colecionar hits imortais nas paradas. Ele embarcou numa carreira solo em 1970, animando as pistas de dança de todo o mundo com a eufórica “Move On Up” (do seu álbum de estreia, Curtis). Seu som característico era suntuoso mas funky, com uma ótima orquestração que mesclava guitarra, cordas entusiasmadas, majestosos metais e ritmos fluidos. A cereja no bolo era o falsete sedoso de Mayfield, com o qual ele embalava comentários cáusticos sobre a América urbana.
Superfly foi o único álbum de Mayfield a chegar ao primeiro lugar das paradas. Era a trilha sonora do famoso filme de blaxploitation e denunciava exatamente aquilo que a fita corria o risco de glorificar. A sinfônica “Little Child Runnin’ Wild”, em tom menor, pinta um retrato pessimista da vida na cidade, com seus crescendos dramáticos dando lugar, em seguida, a “Pusherman”. Construída em torno de uma hipnotizante linha de baixo e batuques de conga, essa reportagem em primeira pessoa sobre o cotidiano das ruas prenuncia o gangsta rap. A música foi sampleada por Ice-T em “I’m Your Pusher”, de 1988. A arrebatadora “No Thing On Me (Cocaine Song)”, influenciada por ritmos latinos, é um poderoso manifesto contra as drogas, mas os melhores singles são “Freddie’s  Dead” – esse desenho pingente, à base de flauta, de uma personalidade chegou ao quarto lugar – e a faixa-título (oitavo lugar).
Mayfield nunca mais alcançaria o sucesso comercial deste disco – There’s No Place Like America Today, de 1975, é uma pérola pouco valorizada. Em agosto de 1990, uma tragédia: Mayfield ficou paralisado do pescoço para baixo, depois que o equipamento de iluminação desabou sobre ele. O suave gigante da música do século XX morreu em 26 de dezembro de 1999, aos 57 anos.
Erasmo Junior
fmanha.com.br

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Jaco Pastorius

Jaco Pastorius foi um daqueles seres "iluminados" que aparecem de 10 em 10 anos, ou mais, e mudam o rumo de todas as coisas relacionadas ao que fazem.
Desde 1987, 21 de setembro não é mais um dia com muitos motivos para sorrisos para os amantes da música. A tristeza pela ausência física e de novos trabalhos do homem, do gênio, que ensinou o mundo o que era e como se tocava um fretless, é grande demais. Porém, é suplantada pela presença de Jaco até hoje, em seus admiradores, seguidores, fãs, etc. No toque de cada baixista deste planeta, há um pouco de Jaco Pastorius, mesmo que esse próprio baixista nem saiba e perceba que está fazendo aquilo levado por influências 'Pastorianas'.
Jaco Pastorius representa para o baixo o mesmo que Hendrix para a guitarra. Inovou, mudou os rumos, revolucionou. Michael Manring, Billy Sheehan, Les Claypool, Tony Levin, entre outros mágicos do baixo, foram influenciados por Jaco e se referem a ele com respeito e admiração. Ou seja, se referem a ele da maneira como todos devem se referir, independente de gostar ou não do que ele fez com Pat Metheny, Weather Report, Joni Mitchell e outros.
Filho de Jack e Stephanie Pastorius, John Francis Pastorius III nasceu em 1 de dezembro de 1955 em Norristown, Pensilvânia, de onde se mudaria para Fort Lauderdale, Flórida, em 1959, onde inicia sua carreira tocando bateria em 1963 numa banda local, The Sonics, e adotando o instrumento que o celebraria somente em 1967, quando já fazia parte do Las Olas Brass, outra banda local.
Sua fama começou a galgar vôo em 1973, quando começou a lecionar, por meio período, na Universidade de Miami. No decorrer da década gravaria vários discos em conjunto com vários artistas, notabilizando-se principalmente pelo trabalho junto ao Weather Report. No início dos anos 80 grava "Word of Mouth", seu segundo e mais famoso álbum solo, com uma versão inacreditável de "Blackbird", dos Beatles.
Dentre outras coisas, Jaco foi quem começou a usar harmônicos utilizando seus dedos para criá-los fora do braço. Seus únicos instrumentos foram dois Fender Jazz Bass sunburst - dos quais arrancou o escudo - e amplificadores Acoustic.
Apesar de todo sucesso de crítica, mídia e público, Jaco, cuja personalidade sempre fora difícil, teve várias crises depressivas, acabando por se afundar no álcool e nas drogas. Em setembro de 1985, foi preso na Filadélfia por tentar invadir a casa de seu pai, e em julho de 1986 acabou por internar-se na ala de psquiatria do Hospital Bellevue, em Nova York, onde foi diagnosticado como maníaco depressivo. No início do ano seguinte, após saber da morte de dois amigos de infância, entrou em profunda depressão e interrompeu o tratamento que iniciara no ano anterior, passando a beber além da conta e passar as noites dormindo em parques públicos, tendo sido preso diversas vezes por promover brigas, desordens e até furtos.
Tudo isto culminaria nos incidentes que causaram sua morte, iniciados na noite de 11 de setembro quando, já irreconhecível, tentou subir no palco durante um show do Santana em Fort Lauderdale, tendo sido retirado pelos ajudantes de palco. Logo cedo tentou invadir um clube noturno, acabando por se envolver numa briga com os seguranças, que o espancaram tanto que deu entrada no Centro Médico Municipal Broward em estado de coma, tendo resistido até o dia 21, quando foi declarado morto às 22 horas.